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Estranheza

Distante do ninho

Deslumbrada as vezes fico

Da delicadeza a rigidez com que a vida se apresenta

Me distancio

Desconheço-me em atos fortuitos

Quanta insensatez duvidando da honradez

No espelho ainda me vejo tão presa dentro de mim mesma

As rugas se apressam, chegam, atravessam, mas a menina ainda brinca como se tivesse bonecas

O estranho sempre ficou aqui, nada nunca me invadiu por completo, de incompletudes vive esse vazio, necessário e incerto, dando a lida para a ida em cada romance pelo viver

Minhas mil facetas habitam aqui, em cordas que eu mesma dou a cada uma delas, “regro”, umas reprimidas, outras falidas, já algumas alcançam o céu em travessias loucas, coloridas, inesperadas e absurdas, o que não se pode explicar em imagens e nem pelo o exagero de palavras

Nos delírios que alcançam o meu sorriso, em noites mais ou menos cínica, o amor sempre está, inacabado, reduzido à seco, em silêncios de mordaças transversais, da inquietação a estranheza tem uma sutileza que me desperta a um vício de ter que sofrer por mais, na pele os estados melancólicos que habitam há tanto tempo, parecem que não desejam se libertar dos seus ais. Qual a faceta do amor e da dor? é pela a angustia dos temporais?

Que o espelho nunca dite a idade que se deve amar, que a sol brilhe de forma a brotar sementes sobre tudo que se sente bem mais

E que as estrelas continuem a inspirar os poetas para as serestas diante do luar

E que o Beija-Flor continue lindo e belo na magia dos seus encantos, contrastes e cores, e que nunca se veja no espelho, pois só assim se brota amores

Katiana Santiago

Sentir é tocar com a alma

Até um alvorecer que sempre se afasta

Como um sol que não quer nascer

Mas seus feixes de luz cilíndricos insistem depois dos cônicos convergentes duelarem com os cônicos divergentes.

Sua prisma eternal é sentida por aqueles que até sem olhos se aquecem com ela : Luz, essa do viver

Acende, livre, bela, independente de toda a morte que se encerra nos ciclos individuais…

Uma atmosfera é capaz de absorver, depois a devolve para o novo amanhecer

Contigo sensibilidade anda também a esperança em sua ânsia transitória e limiar, em uma porta acontece a vida, em um nível de solo, solar, solitude é uma solidão salutar

Umbrais da sensibilidade me faça amar sempre, pelas portas que o amor passa, deixa seu cheiro aqui

Sentir na intensidade máxima

Vida angustia vivida, até na despedida é amada

Katiana Santiago

Palpite

Sobre a fragilidade do amor…
É fácil despertar desejos, assim chegam os anseios por beijos, abraços, carícias “marginais”

Depois se inebria de poesia, palpitando noite o dia o elã do amanhã nas figuras matinais…

Só se perde o que se teve, já sobre versos e reversos é aí que mora meu apreço
Da delicadeza a frieza, mata-se bem mais do que com um punhal
Durmo sempre descoberta para as intrigas da madrugada, serem livres para as viagens “transpessoais” incorpora magia do medo, vida onírica, daquilo que não é habitual.

Quanto ao preço da indiferença cheira a morte tal decadência, a afligir e separar os planos morais dos imorais

Já eu me desejo sorte, pela as surpresas nas aberturas que são manifestas, me curo quando me procuro, me acho em laços, tropeço, me desato no book sem exatos, sem início, nem ancentrais, livre de correntes, como serpentes são os amores atemporais
Amor na ida e na lindeza de nunca ter pressa. Partida. Tu és assombrosa vida…

Katiana Santiago

Beleza

No abandono de tudo me refiz no mundo em meio aos abates cruciais

Ser só nunca foi para logo mais, pauta diária, antiga e atual nas linhas da vida

O frio maior, em lacunas abertas, despertadas por ti Beija-Flor, e tu ainda canta o amor?

Ou ele deu lugar as letras tristes, de amores possíveis, felizes, no arco-íris cintilante de vivências reais?

Sofro como os que sofrem mas não na mesma intensidade de dor

Me refaço no vento, na despedida do sol tenho lamento, mas no aparecimento da lua me envolvo contente, e lá se foram meus ais. Me inspiro no narciso que precisou brotar em mim, a força, na análise selvagem, dura, crua, doída até demais. Nem menos nem mais, o amor é para quem tem coragem, de queimar a lenha e torná-la cinza, adubando o terreno, para o plantio, dando de novo a semente que trará outra vez os temporais…

Na beleza do Jasmim me misturo no meio das plantas selvagens, escapo, me perco depois me acho, me entrelaça a ti outra vez, sempre, continuamente, explicação de uma falta? Pobre demais. Analogias das entrelinhas. Meu amor é forte como a morte, por isso viverá com vida até o último suspiro para chegar ao ai.

Em uma referência perdida, quase indefinida, partir nunca foi opção, por ti sempre, no ir que ficou aqui…

Meu sentir é mais breve, a vida convoca a experiência secreta, mas ainda há árvores que não plantei

Como um pássaro pequeno que tem esse mover, tenho pressa, mas não desespero, vejo lindeza no bico, polén garantido, beleza das cores que se misturam,passagem ao ato, mas tu é tão indefinido.

E eis a poesia excelsa, se tu canta na minha janela tenho rima para toda uma vida, mesmo supostamente indo embora, desperta a beleza em som e prosa e vivo tantas vidas, na minha guarita distante, ainda ouço você…

Beija flor teu canto é de cor, teu bico tão fino suga a flor, mas a flor também entende tua distancia tão singela, aos cubos vive o amor, vai se refazendo em uma beleza mais que bela e eu vou entendendo que a exclusividade do amor a uma única flor nunca será característica do Colibri(Beija-Flor), nisso insisto, tristeza, dor e amor em mim se completam…

Katiana Santiago

Vinil

Aos prometidos resta sonhar, e o onírico se faz como um giro, e a lida como a vitrola a tocar, um vinil aranhado, ditando o som da ida, que ela há de continuar

Só Sartre e Simone de Beauvoir despertavam para vida com uma novidade a palpitar

As faixas de um disco tocam na mesma posição e nunca vão entremear.

Na madrugada se vive mil personagens, loucos, abusados, artistas mal encarnados que nas pausas singelas permitem depois das responsabilidades os sonhos da liberdade alcançar.

Dormir e sonhar nas paralelas da utopia, se vestir da púrpura que alucina, mas também agoniza no “breu” em sonhos berrantes a inquietar

Ciganos que se perdem com “olhos pidão”, no feitiço particular do onírico da paixão.

Há sonhos que te afogam, já outros te levam a tantas dimensões, em oceanos e rios, mas alguns apenas “lameiam” os pés na rua da desilusão.

Há sonhos que nos salvam da solidão, do abandono do mundo. E a escrita desses sonhos, é como aquela de quem conta estrelas todo dia, assim é fácil fazer poesia, sem morrer nas estações. Meus rabiscos e dilemas definem em mim sobre Freud, a água, a sede e o acordar, algumas coisas sempre me bastaram, pensar sobre o amor e o amar…

Sou bicho bruto do mato, exagerada, inacabada, mas uma encantada pela vida e seu mover, que parte a cada dia, deixando as marcas das nostalgias do que se viveu, e suspenso sublimado pelo ar, muda-se a poesia, mas o vinil continuará sendo rodado e escutado…  

As dores que te “beijam” hoje, darão a música do amanhã, em sonhos que lampejam nas noites mais frias da chuva temporã.

Que os pássaros cantem e queiram continuar beijando a vida, antes que o silêncio os cale pela despedida.

E que o querer deixe de ser só querer e morra em suspiros,  no pirar da vida que inspira a cada amanhecer…

As chuvas serôdias são fora de época, mas há tempo para o preto, para o rosa e o azul 

Hoje quero vestir  os dias de sonhos coloridos, deixar o rosa ternura ocupar a vida como quem invade uma propriedade perdida, e me apropriar de tudo e um pouco mais… A existência não tem mais cheiro de morte, sustento as notas com canto feliz como quem teve sorte, por amar e ter os sonhos durante os vendavais.

Eis um canto assombroso que canta para todos os mortais: amor e a dor 

Velo meus “ais” mas não são iguais

Tenho um norte, nomeio as estrelas, dou nome  e me aproprio delas e elas sorriem de mim

Minha linguagem falada é paralela, meu vinil sempre toca durante as malditas ou benditas aquarelas e as estrelas  sussurram: louca é ela

Katiana Santiago

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fio
Linha a linha
Eis a costura da vida
Indefinida, intensa, colorida
Simplicidade e singeleza
O fio que alinhava a ida
Longo e bonito na metáfora soberana dos amalgamados mortais
Costura um pouco mais, tece na curva do linho fino, algodão ou seda, chita ou pano de saco, linda, autêntica no fio, nem menos nem mais…Vida tuas delicadezas não são para logo mais
Katiana Santiago

 

Vespertina

Final de tarde e um sussurro na janela

O vento me beija loucamente e vejo aquarelas

o céu me inquieta em sua dimensão mais bela, tanta luz que se despede, e um desperdício de beleza, para a morte de um único dia…

O momento deveria ser infinito a contemplar e transbordar, congelar sensações e deixar o sublimar para as próprias equações noturnas

Eis um pedido a um dia tão lindo, quem sabe ele me atende em meu agoniar: morte me leve assim na vespertina, quero partir como a tarde que assim cai, rápida, mas desbotando lentamente, entende? Sem lamúrias, guardando toda imagem na audácia do desejo de ser jovem e imortal, como tu linda tarde, que se renova todo dia e no teu desbotar nunca perece e ainda nos dá guarita

Quero te guardar com os olhos de quem vê o mundo pela primeira vez, na admiração e no absurdo de tudo, na beleza e na delicia que é a vida, incorporada, decidida, firme como só tu sabe ser, tarde, mesmo no breu que chega, tu és abusada, mas tem hora de partida e na partida já eis chegada, enamorada e coerente com a lua, tu nunca se atrasa

Me dá mais desse teu mover, teu viço, quem dera ser como tu vespertina, eterna, até desbotando tu é brilhante, audaz

É verdade que as tardes sempre morrem Mas não envelhecem jamais…

Katiana Santiago

Quando a língua fica solta no oceano das palavras

E nas suas viagens

Ela dança, canta, faz festa, se alegra, se liberta até a valsa

É então que o véu se rasga, fino, transparente, antes percebido como uma cortina de aço…

Quando o ouro da fantasia é quebrado, se quebra um tesouro bem guardado a tantas chaves, soterrado, esquecido, sem mapa, sem labirinto, foto ou retrato falado, apenas desejado, sonhado e interpretado pela peculiaridade da subjetividade infinita mais que linda

Nem mil diamantes são suficientes para pagar pela delírio aniquilado

Eis o manifesto da língua, é o bem, mas o mal também guardado

Metal fundido, se fragmentado essa cortina da vida te desmancha em mil pedaços

Katiana Santiago

Viver, como a corda que se quebra, me quebro assim, mais uma vez, não queria partir, me expulsas de ti, na brincadeira do faz de conta sou a letra esquecida? Assim como o ninar sem despedida, um afago neutro, qualquer, vulgar

Apaixona e desapaixona-se com tanta intensidade, na corda quebrada do acorde do amor, não me vês como uma flor, talvez não sou… 

Em mim nasce sempre a poesia de cada dia, que tolice a minha, ter para toda uma vida mais que linda um momento recordar, de versos que só criam vida no reencanto  por ti, meu fantasma singular, repetição sublime, aba…

Vida me diga você, porque és  tão lindo assim meu beija-flor? Vida ainda há tempo pra mim? No nude das tuas palavras a minha alma está na calma, alma tão feliz por te ver assim, um pouquinho perto de mim. Meu caderninho de brochura, formosura, esconde do mundo o silêncio dos que amam… Mas a madrugada sabe, que sou amante da vida, a ela é revelada que tu és meu desejo, pontuas o amor em mim, por si se tatua…

Serei uma corda quebrada, mas a vida me embriaga enquanto conto estrelas só minhas, “jorra” em mim alegrias de amor eterno amor, esse é o gozo da dor, amor?

Pássaro da vida me leva contigo, subordinada aos teus caprichos, meu nicho amarrado por toda uma vida, o sal é para a saudade, aumenta a sede que me recria…Para os Rios que me banham, as vezes me acanho, amo-te, 

Katiana Santiago

Eu amava

O dia que não amanhecia, aquilo que não chegava, aquilo que não me dizia…

E esse silêncio me conduzia a uma louca fantasia

E eu amava o estranho lugar de te amar

E me despia, e com duas taças de vinho eu era convidada a sonhar

Na minha nostalgia te esperava com saudade, e você não vinha

E com palavras sobrevivia, contava estrelas, dando um nome a elas com minhas ousadias, uma se chamava: beija, a outra flor, dei nome a mais duas: som e amor

E eu amava o teu ritmo, tua loucura, tua candura, tudo em ti

Até a insistência edípica, daquilo que não mais existia

E com uma coragem que eu não tinha eu ia, dia após dia me conduzia a um mundo tão lunar

E eu amava nós dois de uma forma tão iluminada, peculiar

Lunática por poesia eu bebia e me permitia embriagar

Sentir por ti o canto do amor que nunca sentira, que em sofrimento enfrentei tão sozinha, meu bem querer que me faz contar estrelas e ainda as tocar

E eu amava o bonito e o feio em mim, na mudança de lugar, a verdade singular, o mal e o bem a conjugar

E eu amava o amar, não o amor, o AMAR que me dava ar para prosseguir…

Meu desconhecido a morar em mim, sem pedir, meu Beija-Flor se revelou, embora o perfume das flores nunca tenha sentido, e a noite chegava, e o fruto do amor sobre mim, a aliviar as cargas, só pela sensação de te sentir como uma tatuagem em mim, morando eternamente em minha pele, se misturando a ela

E eu amava…

Katiana Santiago