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Restos

O que restou

Pedaços bem pequenos de felicidade eu sou

Quando apenas permite o esquecimento…

Sou a melancolia do momento, o abraço frágil no tempo, sou o vento triste que contempla a felicidade dos amores que ainda tem seu encanto em cores, com beijos no porto ao relento.

Vivo na dimensão dos mundos, inclusive naqueles que faltam oxigênio

Sou o apuro que pede perdão sem ter pecado

Sou a falta de inspiração para um delírio delicado

Sou o tropeço do inconsciente que mina, mas calado

Sou a fala ousada e ardente, em meio a tantos fogos a ceder a uma fuga prudente, sou o declínio sofrido no meio da inquisição

Sou inquietação, sou o tempo que cobra amor com paixão, nos restos que ficou, em cicatrizes que se fizeram da dor, sou a língua que se perde, sem troca, sem nada, em uma linguagem confusa e solitária, maior que a solidão são os fragmentos imaginários do amor

Katiana Santiago

Amar aquilo que pulsa enquanto houver vida nessa ida, meu poeminha matinal
É olhar as miudezas e delas fazer projetos em cores, com som, aproveitando a partida
É sentir cada despedida, única, intensa, porque tudo aquilo que parte, em partes deixa em nós, os “nós” mas também a beleza para o amor, música, poesia, eis a vida…Aproveitemos a brisa.

Katiana Santiago


Nos seus 44 metros de profundidade, idade que me encontro, nossa casa já foi de tantas cores
Já desabei nos seus muros que antes eram torres, hoje muros baixos a se pular com facilidade, embora tenham dobrado de tamanho.
A casa da infância, do piso vermelho e encerado, com mulambos e com alguém sendo puxado para dar o brilho apropriado com a cera aplicada, que cheiro bom…
A casa da infância já teve coqueiro, milho e cana, pé de café e de laranja, goiaba e Maracujá. Alagava com toda chuva, a solução foi aterrar…
A casa da infância tinha um aquário de peixes, que pai lamentou que tirassem, a casa treem tinha gatos que mataram quase todos os eu animais de estimação.
A casa da infância parecia que tinha quilômetros de distância quando eu corria para me desviar das chineladas da mamãe. A casa da infância tem cheiro de dor e saudade, não tem mais o pé de castanholas que eu subia para observar a rua, não tem mais as roseiras do jardim, nem a árvore que meu pai se escondia para implicar com todos que passavam na rua
A casa da infância era tão cheia, tão grande que poderíamos imaginar uma cena de novela em cada canto, fantasiar até madrugar, a casa da infância tinha histórias e lendas popular de almas que morriam e voltavam a assombrar.
A casa da infância hoje parece tão pequena, para as fantasias de saudade que o coração resolveu guardar.
Com lembranças doloridas e outras lindas a maturidade me faz repousar
Da casa da infância, guardo o cenário mais íntimo, o velho sofá vermelho as 5 da tarde no quintal a me ventilar, olhando as mangueiras do vizinho em minhas distrações escrevendo poesia no velho diário com capa de fruta e um coração a se encantar…
A casa treem me permitiu o percurso dos trilhos, o amor na vida, a proeza dos reparos e desamparos impostos pela solidão
A casa treem era a única aventura na linguagem das estações
Katiana Santiago

Detalhes nas minúcias cotidianas passam despercebidos, mas nossa pressa não apressa o sol em se pôr, dentro de uma linda graça respirável e concedida, tão intensa que pode ser a vida, independente da estação. Por isso prego bem os meus botões junto ao sol e a lua nessa ida, só em olhar para as estrelas me sinto a mais perfeita lunática atravessando os rios nessa feliz despedida, crendo em ventos bons que carregam as tristezas do coração. Faço o sol e a lua sempre irmãos, na latitude e altitude, no calor ou frio, satélite e estrelas infinitos são. Vistos sempre por qualquer olho, independente da emoção, apreciação
Katiana Santiago

Privações

Suave é a fantasia

Gosto de fruto maduro, a uma fome e sede que sacia

No céu do amor repousa meu coração, o porvir é sempre aqui

Na minha delicada estação

A espera vive em encantos, soletrando vogais, consoantes, letras e pontos

Circunstanciais, assim comunica a emoção

Priva a ação que envolve o som e o canto

Mas a fantasia, vira e mexe, agoniza, angustia e revive

Brota calor, ardor, com letrinhas que invadem a percepção

Excelsa é a fantasia, grandiosa, sobrevive aos nãos, pelas mãos que a limitam, as mesmas que suscitam, brasa, fogo e

providenciam o carvão

Cores para vida, ainda em privações te quero para os sonhos aquecerem a ida

Katiana Santiago

Estranheza

Distante do ninho

Deslumbrada as vezes fico

Da delicadeza a rigidez com que a vida se apresenta

Me distancio

Desconheço-me em atos fortuitos

Quanta insensatez duvidando da honradez

No espelho ainda me vejo tão presa dentro de mim mesma

As rugas se apressam, chegam, atravessam, mas a menina ainda brinca como se tivesse bonecas

O estranho sempre ficou aqui, nada nunca me invadiu por completo, de incompletudes vive esse vazio, necessário e incerto, dando a lida para a ida em cada romance pelo viver

Minhas mil facetas habitam aqui, em cordas que eu mesma dou a cada uma delas, “regro”, umas reprimidas, outras falidas, já algumas alcançam o céu em travessias loucas, coloridas, inesperadas e absurdas, o que não se pode explicar em imagens e nem pelo o exagero de palavras

Nos delírios que alcançam o meu sorriso, em noites mais ou menos cínica, o amor sempre está, inacabado, reduzido à seco, em silêncios de mordaças transversais, da inquietação a estranheza tem uma sutileza que me desperta a um vício de ter que sofrer por mais, na pele os estados melancólicos que habitam há tanto tempo, parecem que não desejam se libertar dos seus ais. Qual a faceta do amor e da dor? é pela a angustia dos temporais?

Que o espelho nunca dite a idade que se deve amar, que a sol brilhe de forma a brotar sementes sobre tudo que se sente bem mais

E que as estrelas continuem a inspirar os poetas para as serestas diante do luar

E que o Beija-Flor continue lindo e belo na magia dos seus encantos, contrastes e cores, e que nunca se veja no espelho, pois só assim se brota amores

Katiana Santiago

Sentir é tocar com a alma

Até um alvorecer que sempre se afasta

Como um sol que não quer nascer

Mas seus feixes de luz cilíndricos insistem depois dos cônicos convergentes duelarem com os cônicos divergentes.

Sua prisma eternal é sentida por aqueles que até sem olhos se aquecem com ela : Luz, essa do viver

Acende, livre, bela, independente de toda a morte que se encerra nos ciclos individuais…

Uma atmosfera é capaz de absorver, depois a devolve para o novo amanhecer

Contigo sensibilidade anda também a esperança em sua ânsia transitória e limiar, em uma porta acontece a vida, em um nível de solo, solar, solitude é uma solidão salutar

Umbrais da sensibilidade me faça amar sempre, pelas portas que o amor passa, deixa seu cheiro aqui

Sentir na intensidade máxima

Vida angustia vivida, até na despedida é amada

Katiana Santiago

Palpite

Sobre a fragilidade do amor…
É fácil despertar desejos, assim chegam os anseios por beijos, abraços, carícias “marginais”

Depois se inebria de poesia, palpitando noite o dia o elã do amanhã nas figuras matinais…

Só se perde o que se teve, já sobre versos e reversos é aí que mora meu apreço
Da delicadeza a frieza, mata-se bem mais do que com um punhal
Durmo sempre descoberta para as intrigas da madrugada, serem livres para as viagens “transpessoais” incorpora magia do medo, vida onírica, daquilo que não é habitual.

Quanto ao preço da indiferença cheira a morte tal decadência, a afligir e separar os planos morais dos imorais

Já eu me desejo sorte, pela as surpresas nas aberturas que são manifestas, me curo quando me procuro, me acho em laços, tropeço, me desato no book sem exatos, sem início, nem ancentrais, livre de correntes, como serpentes são os amores atemporais
Amor na ida e na lindeza de nunca ter pressa. Partida. Tu és assombrosa vida…

Katiana Santiago

Beleza

No abandono de tudo me refiz no mundo em meio aos abates cruciais

Ser só nunca foi para logo mais, pauta diária, antiga e atual nas linhas da vida

O frio maior, em lacunas abertas, despertadas por ti Beija-Flor, e tu ainda canta o amor?

Ou ele deu lugar as letras tristes, de amores possíveis, felizes, no arco-íris cintilante de vivências reais?

Sofro como os que sofrem mas não na mesma intensidade de dor

Me refaço no vento, na despedida do sol tenho lamento, mas no aparecimento da lua me envolvo contente, e lá se foram meus ais. Me inspiro no narciso que precisou brotar em mim, a força, na análise selvagem, dura, crua, doída até demais. Nem menos nem mais, o amor é para quem tem coragem, de queimar a lenha e torná-la cinza, adubando o terreno, para o plantio, dando de novo a semente que trará outra vez os temporais…

Na beleza do Jasmim me misturo no meio das plantas selvagens, escapo, me perco depois me acho, me entrelaça a ti outra vez, sempre, continuamente, explicação de uma falta? Pobre demais. Analogias das entrelinhas. Meu amor é forte como a morte, por isso viverá com vida até o último suspiro para chegar ao ai.

Em uma referência perdida, quase indefinida, partir nunca foi opção, por ti sempre, no ir que ficou aqui…

Meu sentir é mais breve, a vida convoca a experiência secreta, mas ainda há árvores que não plantei

Como um pássaro pequeno que tem esse mover, tenho pressa, mas não desespero, vejo lindeza no bico, polén garantido, beleza das cores que se misturam,passagem ao ato, mas tu é tão indefinido.

E eis a poesia excelsa, se tu canta na minha janela tenho rima para toda uma vida, mesmo supostamente indo embora, desperta a beleza em som e prosa e vivo tantas vidas, na minha guarita distante, ainda ouço você…

Beija flor teu canto é de cor, teu bico tão fino suga a flor, mas a flor também entende tua distancia tão singela, aos cubos vive o amor, vai se refazendo em uma beleza mais que bela e eu vou entendendo que a exclusividade do amor a uma única flor nunca será característica do Colibri(Beija-Flor), nisso insisto, tristeza, dor e amor em mim se completam…

Katiana Santiago